O peso invisível do cuidado familiar
O peso invisível do cuidado familiar
O desgaste emocional de familiares que acompanham pessoas doentes em casa exige atenção ao longo de todo o processo

Ter um familiar doente cuidado dentro de casa é uma realidade comum em muitos lares. É nesse cotidiano que filhos, cônjuges e parentes próximos passam a assumir decisões difíceis, lidar com o desgaste emocional e conviver com sentimentos de insegurança e culpa. Esse cenário, cada vez mais frequente diante do envelhecimento da população e do avanço das doenças crônicas, revela a necessidade de olhar também para quem cuida.
Segundo a fisioterapeuta Daniele Chaves, diretora da Palliative Care, o atendimento domiciliar permite uma abordagem mais abrangente, que considera a família como parte do processo terapêutico. “Quando a assistência acontece no domicílio, é possível compreender melhor a dinâmica familiar. Quem assume a rotina diária também pode adoecer se não receber orientação e acolhimento”, enfatiza.
Tensão nos momentos de decisão
Com atuação em Campinas, Região Metropolitana e São Paulo, a Palliative Care acompanha pacientes idosos, oncológicos, pessoas com demências e quadros de limitação funcional desde o diagnóstico até fases mais complexas da doença. Ao longo dessa trajetória, a equipe multiprofissional observa que o sofrimento emocional dos cuidadores tende a se intensificar nos momentos de decisão, quando surgem dúvidas sobre limites, escolhas terapêuticas e finitude.
Esse processo é descrito pela empresária Maria Regina Ferramola de Salvo, que vivencia o cuidado domiciliar de sua mãe, Maria Wilma Ferramola de Salvo, de 95 anos. “No começo foi gradativo. Como eu trabalhava, não podia deixá-la sozinha, mas ela ainda era ativa, conversava, estava em sintonia com o mundo. As cuidadoras davam suporte para pequenas tarefas”, relata. Com o passar dos anos, no entanto, a dependência aumentou. “Vieram as dificuldades para caminhar, para ir ao banheiro, para se levantar. Percebi que precisava de uma estrutura mais qualificada”.
Daniele Chaves reforça que os cuidados paliativos não se restringem ao fim da vida, como ainda é comum no imaginário social. “Eles começam no diagnóstico e caminham junto com o paciente e a família, oferecendo alívio do sofrimento físico, emocional e até espiritual. Isso inclui orientar, escutar e apoiar quem está todos os dias ao lado do paciente”, explica.
No ambiente domiciliar, sinais como alterações de humor, confusão mental ou queda na mobilidade costumam ser percebidos com mais rapidez, o que ajuda a evitar internações desnecessárias. Ainda assim, o impacto sobre quem cuida é significativo. Maria Regina lembra que as noites começaram a ficar difíceis, com agitação, gritos e alucinações. “Eu já não dormia e isso começou a comprometer meu trabalho”, conta a empresária. “A decisão de ter alguém à noite foi muito dura. Questionei minha privacidade, senti culpa, como se estivesse terceirizando o meu papel de filha”.
Na vida real
Com o suporte profissional junto a idosa Maria Wilma, a rotina passou a ser mais segura, ainda que emocionalmente desafiadora. “Não me senti insegura. Sei que o idoso precisa de cuidados e sei que minha vida continua. Não estou abandonando, sou presente e acompanho tudo de perto. As cuidadoras seguem a rotina, são orientadas, e sempre que tenho dúvidas, a supervisão vem e resolve”, afirma.
Para Maria Regina, ainda existe um tabu em relação ao cuidado feito por pessoas que não são da família. “Se você está bem resolvido com seu parente, não está negligenciando. Pelo contrário, isso dá mais fôlego para estar presente nos momentos importantes.” E completa: “A velhice não é fácil, não dá para romantizar. O idoso mal orientado adoece uma família inteira. Ter uma pessoa treinada para colaborar é necessário”, aconselha.
Para Daniele, da Palliative Care, a atenção ao familiar cuidador tornou-se uma questão social relevante. “Com o envelhecimento da população e famílias cada vez menores, o cuidado acaba concentrado em poucas pessoas. O suporte técnico precisa vir acompanhado de orientação e atenção ao aspecto emocional, porque quem sustenta a rotina diária também é impactado”, observa.
A paciente Meire Cunha (nome fictício), de 83 anos, tem Alzheimer e a perenidade das cuidadoras é uma condição fundamental para o seu bem-estar. Sua filha Silvana Cunha (nome fictício), administradora de empresas, conta que requereu da Palliative Care um perfil específico de cuidadoras. “Eu pedi profissionais responsáveis, maduras e com a vida estabilizada para diminuir riscos de ausência do trabalho. E solicitei também que fossem cristãs para conversarem com a minha mãe, que sempre esteve à frente de uma instituição religiosa e gosta de conversar sobre isso. Faz quase três anos que somos atendidos pela Palliative Care e estamos muito satisfeitos. São cuidadoras atentas às demandas e que nunca nos deixaram na mão”, entusiasma-se Silvana.
Sobre a Palliative Care
A Palliative Care é uma empresa de atenção domiciliar com atuação em Campinas, Região Metropolitana e São Paulo, formada por equipe multiprofissional especializada no acompanhamento de pacientes idosos, oncológicos e com doenças crônicas ou limitações funcionais. Com experiência consolidada no cuidado em domicílio, oferece assistência personalizada, que respeita a rotina de cada família e prioriza conforto, segurança e orientação contínua ao longo do processo de adoecimento.
